sábado, agosto 22, 2009

A primeira foto, as ultimas impressões

A pedido de várias famílias e amigos, aqui vai a primeira foto da nossa travessia. Não escolhemos esta por ter sido a primeira, nem mesmo por ter sido aquela em que estamos mais giros, ou mais magros - a propósito, perdi 5 quilos, mas estou aqui em casa dos meus sogros a tentar recuperá-los. Acho q vou conseguir!

Resolvi por esta foto porque ilustra um aparte importante da nossa viagem. Os dois montados nas burras, com os BoB's carregadinhos de água e papareca, com a mecânica toda e as nossas espectaculares camisolas de fibra de uma conhecida marca de hipermercado desportivo...

A estrada de alcatrão com as bermas pouco definidas, a terra ocre do continente africano e os nossos espectaculares e muito úteis chapéus de abas. Ideia do meu amor e que se revelou um grande must, a repetir, se repetirmos a experiência.

Obrigado a todos pelas palavras de incentivo e, acima de tudo, pela vossa ajuda e atenção dedicada. Uns, como o Jakas, a postar as nossas mensagens em real-time, outros a responder quase de imediato, dando força, alento e coragem para continuar. Alguns mais ansiosos, que rezavam todos os dias por nós, outros a imaginar que estávamos prestes a ser raptados e cozinhados num qualquer caldeirão...

Uma beijoca e um abraço grandes dos vossos pretinhos do Sahel. Tentaremos ser breves na colocação de fotos e demais considerações, no entanto, temos muitas fotos, alguns vídeos e por isso faremos uma criteriosa selecção do que achamos que vocês podem ter interesse em ver.

Hugo, Teresa e BoB´s já no Algarve com as bolas de Berlim com creme!

sexta-feira, agosto 21, 2009

“Vento na cara e pés nos pedais!!”

Viva!
Para actualizar as crónicas, continuando a sequência da nossa viagem, vou passar a transcrever o texto que o Hugo escreveu no nosso diário de papel no dia 16 de Agosto:

“197 kms de pista de terra que segue de Banfora, a capital dos Senufos, para Gaoua a capital dos Lobis: Chegamos ao ponto “combinado” de partida da nossa vannette às 7h da manhã.

Telefonamos ao “chóffér” para certificar que tudo estava em ordem, e voilá!Eram 9h quando nos sentamos no autocarro depois das nossas burras e Bobs terem sido embarcadas por volta das 8h30 e terem ido, juntamente com o resto do carrego recolher mais uma rapaziada que faria a viagem até Gaoua connosco.

Enquanto esperávamos, apreciamos um espectáculo raro: um autocarro vindo de Abidjan, na Costa do Marfim, ia em tons de azeviche até mais não! A porta de acesso traseira não fechava à conta das bagagens imensas que eram transportadas, o que fez com que tivesse que ser atada com uma corda para não se abrir.Às 9h45 estávamos a deixar para trás Banfora, nos bancos da frente da vannette – onde habitualmente iriam 4 a 6 pessoas – e são considerados os melhores lugares porque perto da janela e da porta.

Ao km 15 da interminável pista de terra tivemos um furo no pneu da frente do lado direito. As demarches para aliviar a vannette de pessoas; porque a carga permaneceu intocável, resultou na contabilidade de, não menos de 17 adultos e 5 crianças, valor que constitui marcado prejuízo financeiro para a transportadora, uma vez que uma carrinha de transporte no mesmo trajecto, mas em sentido inverso, contabilizou 30 ocupantes.

Nota: estamos a falar de uma carrinha de 9 lugares, ocidentais, 3500 kgs, do tipo Toyota Hyace, ou no caso concreto, uma Hyunday de 1995 com (pelo menos 300000 kms marcados); ficamos sem saber quantas voltas já deu o conta voltinhas.

Trocado o pneu, recomeça o folclore de reentrada (pouco) organizada na dita e partimos em direcção ao nosso destino. A paisagem desta pista de terra é extremamente verdejante, marcadamente do tipo floresta equatorial e pelo caminho, vimos um camaleão a atravessar a estrada.

Estamos alojados no Hotel Hala. As boas notícias são que, apesar da cozinha estar fechada serviram-nos uma omeleta gigantesca, que nos matou a fome. Resta esperar pela água para nos podermos lavar do pó vermelho com que ficamos entranhados nesta viagem de 4 horas no extremo oriental do país.

Amanhã tentamos entrar num autocarro com destino a Ouagadougou. Com o intuito de tentarmos saber os horários, as companhias e os preços praticados, montamos nas burras e fomos tentar encontrar a Gare Routiére. Estamos num sítio tão isolado que a indicação para chegar à estação de camionagem aqui denominada “auto-gare” foi a seguinte: “Depois do Baobá, à direita”. E lá estava direitinho.

“Depois do episódio da diarreia e da viagem na vannette o Hugo estava a atingir o “red line” em relação a África. Não sabíamos nós que o “melhor” episódio estava para acontecer no dia do regresso a Portugal… De facto, no dia 17 estávamos a caminho de Ouaga, capital do BF e da etnia Moshi. Na viagem, feita num autocarro climatizado, com etiquetas nas malas e direito a “máximos” por parte do rapaz que controlava as entradas e saídas e o pagamento dos bilhetes, desfilaram pelo grande palco em DVD, os maiores sucessos da música da Costa do Marfim, no compacto “Abidjan TV Top Show”.

As imagens dos vídeos quase a papel químico uns dos outros, reflectiam, e de certa forma confirmavam a imagem que tínhamos do país vizinho: negros de cabelo e pêra pintados de amarelo oxigenado num estilo muito “Abel Xavier”, abanavam-se com leques de notas, falavam ao telemóvel, usavam relógios sobredimensionados e dourados, passeavam-se em grandes carros e tinham amigas, umas mais, outras menos, feiotas.

Da forma mais pacífica e civilizada possível, fomos por essa apneia a que nos vota o autocarro. Sem poder parar para fotos, para falar com alguém, sem interagir com o mundo novidade, para nós. Lá fora, a paisagem, a estrada, as pessoas sucediam-se com uma pressa só possível num veículo automóvel. O meu dedo, que seguia o percurso no mapa, deslizava como nunca no plástico, seguindo a linha laranja da representação da estrada.

Nas paragens para recolher pessoas, os vendedores de amendoins, ovos, cebolas, bebidas aproximavam-se do autocarro para vender. As janelas podem-se abrir para fazer as transacções. No Burkina, umas pessoas vivem para produzir e comercializar. O modo de vida é o mais básico que se possa imaginar. Produz-se e vende-se. Cada um produz um bem, vende, e utiliza o proveito dessa venda para comprar outro bem que não produza. A lógica de vida é hoje em dia ameaçada por aqueles que na procura do domínio de toda a cadeia produzem, vendem, vários produtos ou bens, centralizando a produção e as receitas, condenando os pequenos produtores/vendedores de um só produto. Deixam de ser “necessários” e deixam de conseguir vender. O propósito da subsistência acaba por ser o único que os faz produzir, pela incapacidade de escoar os seus produtos, e isso não é suficiente. É também essa a razão para que os burkinabes comecem a tentar obter receitas por outras vias.

Apesar da forma primitiva como abordam os turistas (porque já perceberam que o seu território e riqueza etnológica tem um valor que outros valorizam) alguns já conseguiram encaixar no sistema turístico (arcaico) que se está a criar, liderado de forma pontual por operadores e investidores espanhóis e franceses. Por outro lado, e infelizmente, a outra via é a do dinheiro fácil associado a esse mesmo turismo. Em Banfora encontramos muitos “casais” de mulheres brancas com negros, locais. É o reflexo de uma falta de saber, por um lado, associado a uma procura muito específica, do outro, e que infelizmente parece ter pernas para andar. Tivemos a confirmação desta constatação depois, em Ouaga.

As diferenças entre as etnias dominantes em cada uma das regiões do país, ditam também a permeabilidade das mesmas ao mundo novo e ocidentalizado e às novas formas de vida. Os Bobos (da região de Bobo-Dioulasso) são tidos como mais preguiçosos e “aderentes” das formas fáceis de ganha-pão. Os Moshis (da região de Ouagadougou) são mais trabalhadores. Assim se justifica o facto da abordagem que, especialmente eu, senti por parte dos homens em Bobo que, a título de exemplo me abordaram no mercado da cidade, aos gritos, “Mulher branca, mulher branca!!” e o facto de existirem alguns relatos (muito poucos, diga-se) de assaltos a turistas mas, todos derivado de “desatenções” por parte dos mesmos em Bobo e nada disto se verificar em Ouaga. De facto, os burkinabes, não são um povo “mau”, mas apesar do nome do país reflectir o seu historial de fidelidade aos seus hábitos, costumes e tradições, o facto é que comparativamente ao Mali, parece ter aceite mais facilmente o modo de vida ocidental. Vê-se principalmente na forma de vestir, onde as mulheres já não optam pelas combinações de saia e blusa tradicionais (os Bobos), preferindo calças de ganga, t-shirts, e outros adornos que nada têm de africano.

A nossa chegada a Ouaga foi relativamente pacífica e a ida até ao hotel, também. Optamos por seguir um rapaz de mota que nos mostrou os atalhos que evitavam os desvios a que obrigavam algumas obras na cidade. A capital do BF é bastante tranquila e tem um ambiente muito descontraído. Ganhou a minha preferência. Mesmo tendo os comerciantes que nos seguem para vender qualquer coisa, anda-se mais ou menos descontraidamente pelas ruas, tendo em conta a nossa cor de pele.

O hotel mesmo sem ter televisão no quarto (que nos privava desse fenómeno televisivo que é q Rádio Televisão Burkinabe, foi (de todos, também) o mais simpático, com um jardim muito agradável com piscina e espreguiçadeiras, muito bem decorado com artefactos africanos. Depois do almoço, o resto do dia foi passado a conhecer uma parte da cidade e ainda a tentar arranjar forma de antecipar o regresso.

A nossa “volta” já estava terminada e não havia razão para passarmos muito tempo na capital. Tratamos também de negociar e comprar cartões para embalar as bicicletas na viagem, tarefa que realizamos com sucesso depois de arranjarmos um “dealer” que nos foi mostrando as várias hipóteses que tínhamos para arranjar cartão. Com a situação dos bilhetes tratados, foi altura de, num trabalho de verdadeiros artesãos, empacotar as bicicletas e o Dylan (o Marley seguiu no saco específico do BOB).

O dia do regresso, de manhã, foi dedicado a “ballades” pela cidade, pela Village des Artisans (local onde se concentram uma série de artesãos burkinabes e africanos em geral, para produzir e vender os seus trabalhos). Última hipótese também para eu comprar tecidos “regionais” e saber da hipótese de me fazerem (em tempo record) um Bobo (fato tradicional africano). A situação foi, como não poderia deixar de ser, à africana: depois de ter pago pelos tecidos, fui perguntar se conheciam algum lá na loja, alguém que me pudesse fazer o fato. Telefonámos e combinamos encontrarmo-nos na frente do estabelecimento. O Joseph, alfaiate, chegou e depois de conversarmos, tirou-me as medidas ali no meio da rua, o Hugo ajudou a tomar notas dos números mágicos, e depois de explicar qual era o “modelito” (com mangas, sem mangas, saia curta, comprida) combinamos o preço que, para nosso espanto, ficou pela irrisória quantia de cerca de 8 euros. O fatinho ficou pronto pelas 14 horas, altura em que foi entregue no hotel. Tiradas as medidas naquelas circunstâncias, o trabalho dir-se-ia que ficou perfeito! Falta só acertar numa ou outra “curva” mais marota, mas de resto sem primeiras, nem segundas provas, o trabalho está muito bom.

Almoço e combinações com taxistas, e estávamos prontos para carregar a “voiture” que teve de fazer 2 viagens para chegar ao aeroporto com as bagagens todas. Fomos cedo para o aeroporto para ter a certeza que conseguíamos embalar as bicicletas com plástico, tarefa que conseguimos com sucesso apesar da tecnologia não passar de embrulhar as bagagens com “Glad”, tal como fazemos nas nossas cozinhas, com os alimentos.

Na altura de poder entrar para o check-in, na primeira das sete passagens “normais” por controlos policiais, fomos logo surpreendidos por uma novidade que nos custaria mais uns cabelos brancos: o nosso visto (que tínhamos feito na entrada no BF, que pedimos que tivesse a duração de um mês) tinha caducado no dia anterior, porque tinha sido feito apenas com a duração de 7 dias.

Um grande “obrigadinho” ao senhor agente da fronteira em Faramana que foi tão simpático!

A crise de nervos durou nada mais, nada menos, que 2h45 para passarmos por uma autêntica prova de fogo, numa corrida contra o tempo para apanhar o avião. Depois da apreciação, por parte do chefe dos polícias, que nos informou que teríamos que fazer um novo visto para poder sair do país, o Hugo deslocou-se ao balcão da “alfândega” para saber se seria possível fazê-lo ainda nesse dia para poder apanhar o avião. O stress aumentou quando, no vagar característico de quem pouco tem a ver com os problemas dos outros, o indivíduo informou que o visto estaria pronto no dia seguinte. Porreiro, porque os aviões de Ouaga para Paris e de Paris para Lisboa estavam cheios até ao dia 23 de Agosto. Depois, também numa lógica que tem mais a ver com o que costumamos ouvir dizer de África, o Hugo soube que sim, que se faria o visto ainda nesse dia, que poderia apanhar o avião, mas que precisava de 2 fotos e de pagar novamente pelos vistos (acabamos por pagar o preço de 4 vistos, em vez de 2). Ainda bem que levávamos fotos de sobra connosco, porque aquilo que faria sentido para nós, que seria fazer uma extensão do visto, não servia. Teve mesmo de ser um novo visto e de pagar novamente.

“Tudo se resolve desde que haja dinheiro”, foi o que disseram ao Hugo.

Assinar, carimbar, pagar e voltar a assinar custou-nos mais uma crise de nervos. A sequência de procedimentos demorou uma eternidade. “Entremeada” com a troca de turno do funcionário, o atendimento ao balcão dos passageiros de um voo que chegou entretanto, de chamadas de telemóvel, e das paragens momentâneas para se recordar em que fase ia, o que ia fazer, o trabalho foi concluído.

Finalmente (passadas as tais 2h45), depois de passar por filas onde já tínhamos estado, por várias revistas de bagagens (radiografia e “apalpação”), e ainda os inúmeros controlos do cartão de embarque e do visto, tudo feito com minúcia pelos olhos de lince da polícia, entramos no avião. Quase nem parecia ser verdade…

Escrevo este último post, com um “amargozinho de boca” por ter terminado, e por isso, ser mais difícil de teclar…um pequeno acto de contrição pela eventual falta de imaginação ou qualidade do relato…

Estamos já, como sabem, em solo lusitano, com a bagagem “mais carregada” do que quando fomos, contentes com o itinerário, com a preparação da mesma que se verificou muito à altura, e ainda muitas histórias para contar, e ainda fotos e filmes para ilustrar os momentos que deixam saudades (e os que não deixam, também)!!

Como não poderia deixar de ser, a frase é minha e mantém-se válida, nesta, e em situações futuras, como um desejo para todos quantos entendem que a velocidade e comprimento de uma pedalada permite “ganhar mais terra”:

“Vento na cara e pés nos pedais!!”

quarta-feira, agosto 19, 2009

As últimas...

Amigas e amigos, estamos de volta ao burgo!

Enviaremos notícias e as últimas actualizações, mas é só para saberem que estamos de regresso ao nosso cantinho.

Nós agora vamos descansar e comer um BIG MAC, já voltamos não tarda nada!

sábado, agosto 15, 2009

Ainda em Banfora

Ainda palavras belas da minha Terese, q como sempre consegue dar um ar de sua graça a uma cena que, nqo so nao deixa saudades, como nao permite que se fala assim na primeira pessoa...

"Portugueses e portuguesas do nosso Portugal,

Nao sendo individuos nascidos e criados neste enorme recanto do planeta azul, somos muitas vezes surpreendidos (na real acepcao da palavra) pelo quotidiano africano, que assume formas muito distintas das nossas, pelos modos diametralmente opostos aos nossos em algumas situacoes, pela "proporçao" que tem o tempo aqui, e ainda em aspectos mais basicos do viver o dia a dia como o simples comer ou beber. Assim, nao seria de estranhar sermos corpos tenrinhos, presas faceis de um eventual parasita, num destes dias, em que europeus fresquinhos, nos vimos intrometer neste ritmo, forma e vidas diferentes da nossa. E foi assim mesmo. Ainda estamos em Banfora no meio da savana burkinabe porque o Hugo foi derrubado por um desses parasitas implacaveis. Depois de ter passado a noite em "visitas" sistematicas a casa de banho e febre, seria impensavel seguir viagem na vannette por essa pista de terra que nos levaria ate Gaoua.

Depois de medicado com uma infima parte do que constitui a nossa farmacia de viagem, depois de algumas refeicoes de cha e arroz, o Hugo ja restabeleceu e amanha seguiremos entao ate Gaoua na carroca do maralhal.

Na parte de sorte que nos coube neste episodio, conta-se a hospitalidade do pessoal do Hotel La Canne a Sucre, onde estamos alojados, que foram impecaveis a tratar dos babous doentes. Apenas tivemos de trocar de quarto para uma "palliote" (casa tradicional da regiao com telhado de palha), com wc e ar condicionado. De facto, a forma amistosa com que somos recebidos no BF e, de certa forma, diferente da do Mali. No Mali, muitas vezes diziam nos "Cuidado que aqui no Mali ha muitos vagabubdos que vos querem roubar", aqui a frase e mais do genero "Aqui as pessoas nao sao mas", reflectindo se a mesma numa forma de ajuda um pouco mais desinteressada do que no pais vizinho, sem termos tanto a sensacao de, na proxima frase nos dizerem que nos ajudam a troco de qualquer coisa. Outra diferenca entre nacoes, que podemos em viagem avaliar pelo simples "indice coca cola" e o preco do referido refrigerante. Comecamos por pagar 1000 CFAS em Bamako, no interior do Mali pagamos 800, maior distancia da capital pagamos 500 ou ainda 350). No caso do BF pagamos cerca de 500 CFAS quase em todo o lado.

No BF tambem parecem receber os estrangeiros de forma diferente porque, segundo eles, o trabalho das ONGs e dos voluntarios e muito valorizado. Percebe principalmente porque num dos paises mais pobres do mundo, onde a escola e paga e as turmas funcionam com cerca de 100 criancas, um dos trabalho das ONGs e permitir que a escola seja gratuita.

Temo-nos entretido aqui por Banfora, enquanto o Hugo se restabelece, a "consumir" a nossa literatura de viagem: "Mongolia" pelo Bernardo de Carvalho (que, para quem gosta sa viajar e muito interessante) e "A conjura" do Agualusa. Fazemos a nossa dimensao o bookcrossing entre nos, a mistura com alguma leitura mais breve de alguns dos livros ou revistas que o hotel disponibiliza na sua biblioteca. Os seroes de vigilia, sao animados com alguma musica que vem da rua e ainda algumas variedades que a televisao burkinabe nos proporciona: Faso academy (versao muito preliminar em termos de conceito, realizacao e qualidade dos candidatos da Operacao Triunfo), filmes com essa diva do cinema (nao da actualidade) Romy Schneider e ainda alguns episodios do Yakari e o Pequeno Trovao. Amanha, rumaremos, entao com os corpanzis (esperamos) recuperados ate a Gaoua, no centro nevralgico do pais Lobi, perola de rituais ancestrais tribais. Uma vez que e territorio quase inacessivel, nao deveremos ter acesso a internet, pelo que depois dependendo de como nos sentirmos seguiremos a cavalo das burras ou de outros cavalos quaisquer no nosso periplo por terras de sahel e savana africanas.

Beijos e abracos,

Teresa e Hugo (os outros estao hibernados)

"je suis malade"

People, so para vos informar de q nao temos criado entradas com noticias novas e fresquinhas porque eu estive doente...

A "borra-liquida" agarrou-me pelo cachaço e esteve a dar conta de mim ate a manha de ontem - lembrei-me logo do Rui Ruim e da sua preparaçao para a Ultra de Ronda. Por precauçao resolvemos ficar em Banfora mais alguns dias, ate eu me recompor.

Esta um bocado comprometida a continuaçao da aventura em bicicleta; o calor e a humidade africanos aliados as longas tiradas q e necessario realizar podem comprometer os nossos planos.

Fica a dica para quem nunca andou nestas coisas das viagens em autonomia - o pra mim a falar como se fosse o Nuno Pedrosa das bicicletas! - e preciso ter sempre o espirito aberto e estar disponivel para fazer alteraçoes aos planos iniciais; afinal viemos para conhecer o Mali e o Burkina Faso e vamos tentar faze-lo de qq forma.

Amanha vamos de Toyota Hyace para Gaoua, no extremo oriental do BF. Se correr tudo bem, ou seja se o antibiotico, o Imodium (esse grande companheiro), o resto das drogas, e a metereologia ajudarem, partimos depois em direçao a Diebougou.

Devemos voltar a conseguir escrever dentro de alguns dias.

Abraços a todos e nao se preocupem q eu ja estou melhorzinho...

p.s- tentaremos atender aos varios pedidos de fotos, mas so qd voltarmos a caselas. A explicaçao e simples; 1) nao temos cabo pra fazer as necessarias transferencias, 2) os meios informaticos nesta parte do mundo sao deveras limitadas, por isso leitor de cartoes, esqueçam!

quinta-feira, agosto 13, 2009

A Odisseia Africana (cont.)

Os nossos amigos Heróis, encontram-se já em terras Burkinames, e a paisagem parece que é de tirar a respiração... mais do que os km's que já levam nas pernas e dos que ainda hão-de fazer... Aqui fica o relato na primeira pessoa enviado pela Teresa:

Ola amigos e familia!
Correndo o risco da ligacao cair, aqui vai uma pequena missiva acerca da nossa viagem.
Chegamos ontem a Banfora, pela estrada nas nossas 6 rodas, sob a ameaca de chuva. Revelou se o melhor tempo para fazer a viagem ja que nao esteve muito quente. A estrada, que liga Bobo a Costa do Marfim, nao e muito movimentada contribuindo para mais um ponto a favor, no nosso dia de ontem. Fomos varias vezes acompanhados por varios locais que da forma singela exibiram as suas melhores capacidades nas suas 2 rodas presas por arames. Grandes pernacas que este pessoal tem!
A paisagem foi luito diferente do que temos encontrado, sendo de um verde continuo ao lado da estrada, verdadeiramente uma paisagem tropical, com a humidade e ditar as suas regras.
Em Banfora, cidade calma deste lado do BF vive se da terra, constituindo uma das maiores fatias da producao ligada a cana do acucar e a producao de arroz. A cana emprega cerca de 4000 pessoas, 3000 em permanencia e o arroz que e produzido tem como destino apenas a exportacao. Na realidade, o arroz que e consumido no BF e exportado da China e Taiwan.
O hotel onde ficamos alojados e muito agradavel e "civilizado". Eu, apesar de ter almocado uma refeicao divinal, acabei por comer demasiado e depois do almoco atirei me para os bracos do Morfeu e o que aconteceu foi que passado uma hora estava a virar o pandeco. Hoje ja esta tudo bem. Pronta para outra.
Hoje fomos visitar as Cascades de Banfora (devo dizer que na santaterrinha temos mais bonitas), o Lago Tangrela (onde existem cerca de 30 hopopotamos, mas que nao tivemos oportunidade de ver mesmo com o passeio de barco, infelizmente) e ainda as Domes, que sao formacoes rochosas belissimas na Falesia de Banfora. Fomos devidamente enquadrados por um guia recomendado pelo hotel, que foi uma ajuda preciosa para nos deslocarmos ate aos sitios. Tamnem levamos "chofer" que conduziu com mestria o Toyota Carina que se nao e do tempo da guerra, ja passou por muitas guerras e sobreviveu. Umq salva de palmas para o para brisas que todo rachado se aguentou estoicamente sem cair e ainda outra salva de palmas (desta feita de pe) para o condutor que meteu a bocarra no tubo da gasolina para meter a "coisa" a funcionar. No final de contas, somos nos que somos uns enrascados. Este pessoal tem solucao para tudo.
Amanha vamos fazer nos a estrada de terra, numa vannette, para realizar o percurso entre Banfora e Gaoua. Na realidade, sao 200 kms que seriam muito agradaveis de fazer em 2 rodas, mas consumiria muito tempo, nao teriamos onde dormir pelo caminho (aqui, sendo uma regiao de costumes tribais, nem sempre e facil o chefe da aldeia deixarnos acampar) e nao sabemos o que podera ou nao chover, sendo que a chuva torna a estrada muito complicada de circular. Vamos entao entrar numa das mais isoladas regioes do BF amanha.
Espero que continuem a "viajar" connosco, as vossas mensagens sao sempre bem vindas. Temos pena de nao conseguir passar vos fotografias, nesta altura. Estamos de facto numa regiao lindissima, ainda de alguma maneira "virgem" em termos turisticos o que acaba por ser muito gratificante e merecedor da visita e esforco.
Beijos e abracos
T, H, M e D

A Odisseia Africana (cont.)

Enquanto a Internet colaborou, o Hugo enviou-nos a seguinte mensagem, desde Banfora... parece que vamos a viajar com eles...

So para vos dizer q ja estamos em Banfora, um vale paradisíaco no meio da verdejante floresta equatorial burkinabe!

A paisagem aqui e completamente diferente de tudo o resto q experimentamos, o verde nas suas varias tonalidades contrasta com a cor ocre/ encarnada da terra.

O calor abrandou e ainda nao choveu, o q nos deixa ansiosos por saber qd ira ser, durante qt tempo, e com q intensidade!

A T. mais tarde faz o relato como deve ser, eu limito-me a dizer q estamos bem e alojados num hotelzinho simpático chamado " La Cane a Sucre", q e na realidade a cultura dominante na zona do pais onde nos encontramos.

A primeira etapa de montanha ficou completa hoje...

Abraços e beijinhos a todos,

Hugo, Teresa e Bobs: Dylan e Marley em Banfora, capital do territorio Senofu

quarta-feira, agosto 12, 2009

Babous a Banfora

(escrevi-vos uma mensagem espectacular e a porra da net africana, q as vewes parece o Netpac 2 mandou isto abaixo!)

Tamos bem, depois escrevemos as news com calma.

Hugo, Teresa, Marley e Dylan em Banfora, apos a 1a etapa de montanha, na regiao da etnia Senufo

Babou Cheche!

A Odisseia Africana (cont.)

...a continuação, conforme prometido pela Teresa, rematado pelo descritivo postal escrito pelo Hugo, um must:

Continuando a actualizacao da cronica africana, nunca sera demais referir o episodio do dia ne etapa entre Bla e Koutiala. Na verdade, foi das ideias mais infelizes que tive nesta viagem que fica como registo do momento alto do dia.
Ja tinhamos pedalado alguns kms depois de sair de Bla quando eu, depois destes dias todos a pedalar com a saia vestida por cima dos calcoes, resolvi tirar porque comecava, com o calor; a ter a sensacao de cozer a vapor dentro do efeito de estufa que a saia faz. Nao esquecer que como povo maioritariamente muculmano, as mulheres nao mostram mais do que o tornozelo. No entanto, resolvi tirar a saia. A sensacao de liberdade e alivio foi imensa. Sentia me renovada de tao arejada que andava. No entanto, essa sensacao passou rapidamente. Os olhares incredulos da rapaziada, junto com os comentarios indecifraveis, mas perfeitamente compreensiveis atraves dessa inequivoca forma de comunicar que e a expressao corporal, comecei a sentir me qual Bo Dereck, na famosa cena do filme Bolero, a cavalgar nua pela praia. O Hugo comecou tambem a resmungar que desde que eu tinha despdo a saia e comecado a exibir os meus calcoes de lycrociclista, nunca mais ninguem respondeu aos seus cumprimentos. Vesti a saia mesmo a tempo de entrar em Mpessoba, onde o policia de rigor inquestionavel no cumprimento do dever, nos mandou parar por causa das vinhetas da bicicleta. Nem quero imaginar o que teriq acontecido se nao tivesse vestido a saia...

Em Koutiala, sendo Domingo, dia de mercado, todas as pessoas descem a cidade. Troca se, vende se, negoceia se. Uma grande confusao. Nao tirei muitas fotos porque aqui muitas vezes coloca se a questao de as pessoas nao quererem ser fotografadas. Fica a memoria.
No dia seguinte, apanhamos o bus de Koutiala (Mali) para Bobo Dioulasso (Burkina Faso). Tomamos essa decisao pporque nao teriamos sitios para poder dormir pelo caminho e porque as zonas de fronteira sao sempre propicias a encontros pouco amistosos. Para tras ficava o Mali, de onde fica a recordacao forte de um povo acolhedor, que nada mais faz senao sobreviver. Para tras fica tambem a mitica Timbuctu, Meca do Sahara, cidade no limite do deserto, conhecida pelas aventuras ligadas aos tuaregs e as caravanas do deserto, nas suas rotas comerciais. Infelizmente, apesar dos anos passarem pela cidade, ao que parece a sua misticidade de cidade inacessivel continua impune como uma verdade actualmente real. O governo de Bamako, dadas as revoltas independentistas dos tuaregs, a decadencia do povo nomada que a mantinha, e do rigor a que esta votada a mesma pela sua proximidade do deserto, pouco investe em acessibilidades e por conseguinte em algo mais que seja, condenado a ao isolamento. De facto, a ida a Timbuctu continua rodeada de misticismo e de grandes doses de aventura, ja que, seguir de barco pelo Niger pode constituir atrasos incalculaveis, bem como o acesso via terrestre uma incognita. Para ajudar, a ida sem enquadramento de guias pode resultar em mas memorias para quem se aventura; ja que a ida e vinda se faz pela unica estrada existente completamente isoldada de tudo e todos.

Aventuras, aventuras, podemos tambem considerar a ida de bus desde Koutiala ate Bobo. Chegamos com uma anetecedencia de cerca de 2 horqs a estacao das camionetas para ter a certeza que nao o perderiamos. Pouco depois, fomos informados que embarcariamos imediatamente e numa companhia que nada tinha a ver com a que tinhamos coimprado o bilhete. As burras e Bobs foram icados para cima do autocarro. Nos, pressionamos e conseguimos entrar no veiculo. Ficamos no corredor. Eu sentada na frente do carro, no terceiro bidon, e o Hugo em pe no fundo do carro.
Na frente, com o inicio da viagem comecou tambem o desfilar do cancioneiro (todo) malinense, cada musica angariando vozes de coro, a vez. A difundir a cultura musical malinense estava uma coluna gigante do tamanho de um frigo bar, ao lado da manete das mudancas. Fui fazendo um esforco por ver a paisagem por entre a grinalda de flores e bananas que cobria o para brisas, o coiote (amigo do Bip Bip) e uma metade de coco com o que julgo frases do corao gravadas. Para os lados, ficava impossivel ver fosse o que fosse ja que os autocolantes da Madonna do tempo do "Like e virgin" o impediam. Avancei entretanto para o primeiro bidon e finalmente para um lugar sentado a medida que foram saindo passageiros.
La atras, ja sentado num banco, o Hugo fazia as delicias do mulherio num intercambio intercultural de fazer inveja a qualquer viajante que se preze. Uma miuda de 8 anos que la estava inclusive disse que casava com ele e tinha planos de me deixar na fronteira. Um homem branco, de pelos nos bracos da sorte, logo, ha que precaver o futuro.
O trajecto seguiu as formalidades de saida do Mali, de entrada no Burkina, de fazer os vistos, de revistar as malas por 2 vezes, o que somando deu 5 paragens.
Estamos portanto, ja em solo burkinabe, "terra dos homens integros", por nao ter nunca sucumbido as tentativas de "conquista" ou aculturacao por parte de outros povos. Onde a religiao oficial e a animista, que resulta das crencas populares, apesar tambem acolher uma grande parte de muculmanos e catolicos, onde a esperanca media de vida para os homens e de 47 anos e onde tivemos , para ja um bom acolhimento.
Vistamos o bairro velho da cidade, antiga capital e foi um autentico "boiao de cultura", ja que tivemos a companhia de um simpactico guia; formula unica para entrar nessa zona da cidade.
Amanha, se nao chover muito estaremos nos pedais para conquistar Banfora.

Ate la, saudacoes dos babous

Teresa e Hugo

Hugo said:
Confirmo e acrescento algumas informaçoes, em primeiro, para terem uma ideia do que se passava da parte traseira do autocarro... para começar; da minha Teresa so via o cucuruto e era qd a camioneta balançava para o lado certo. La, na parte de tras, comecei de pe (ou em pe), passei para um bidon de é( l vazio no meio do autocarro e, a medida q me fui enturmendo, assim q saiu o primeiro compagnons de route, passei para os sentados no banco!

Ao meu lado uma senhora muito jovem, burkinabe, dava de mamar e mudava a fralda a filhota bebe q começou a berrar assim q me sentei ao lado dela. Deve ter sido a primeira vez q viu um BABOU! Do outro lado, uma familia de mulheres malinesas começou a conversa comigo, de onde era, o q fazia, para onde ia, de onde vinha, quem era a minha mulher... o ambiente era muito pesado, dificil de respirar em especial qd começou a chover e tiveram de fechar as entrradas de ar - no tecto da carripana, claro!- e um cheiro intenso a frango percorria ocasionalmente o bus. Esta malta leva umas malgas de metal, ao genero pia de lavar a car, cheia com frango assado, arroz branco e molho (muito molho) para todo o lado. E o conceito take-away... e depois, no final; os ossos vao para o chao do autocarro e limpam-se as maos, ou a cabeça do senhor da frente, ou aos cortinados... e a escolha!

LINDO e INESQUECIVEL!

A Odisseia Africana (cont.)

Então cá vai, para aqueles que têm acompanhado os relatos da Odisseia Africana que os Babous Hugo e Terese, aqui ficam os últimos comentários do diário de bordo enviados pela Teresa:

Viva!

Translitindo a partir de Bobo Dioulasso (ja no Burkina Fasso), aqui estao as noticias mais quentes da viagem!

Saimos de Segou no dia 08 de Agosto, para tras ficava a antiga capital do reino Bambar, na rota do Rio Niger e antigo posto colonial frances, onde se sediou o Office du Niger, instituicao destinada a converter em campos de trabalho as grandes zonas estereis deo delta fluvial atraves da construcao de complexos canais de irrigacao. De facto, como verificamos as terras desta regiao contribuem em grande parte para a diversidade de uma producao agricola baseada no milho.
A etapa ate Bla foi bastante pacifica ja que constituiu a mais plana ate a data. Sem relevo a dificultar, as nossas pedaladas seguiram durante 83 kms na companhia de uma amostra do Harmattan (o cento do deserto). Seguimos assim calmamente o grande oasis que e o Mali. Nas terras que antecedem o deserto, o Sahel, abundam as arvores dos baobas, e umas zonas de amarelo areia que contrastam com o verde da epoca. Nunca estamos sozinhos. No seguir dos kms da estrada existe sempre alguem, a pe, de bicicleta, numa carroca, os miudos aos gritos, a correr na nossa direccao "Babu! Babu!", que significa "pele branca". Os miudos, que por qaui so vao para a escola aos 8 anos, trabalham nos campos a ajudar os pais ate essa altura. Quando paramos, continua a cobica as nossas garrafas de agua vazias e para as encher de leite, para vender.
Aqui a vida e dura. Trabalha se de sol a sol: na terra, o gado, o negocio no mercado,...
Pelo caminho, enquanto pedalamos, pensa se na vida, "medita se", e noutras alturas e um classico surgirem musicas na nossa cabeca para cantar. Deve exisitr uma marca, como uma "escarificacao" (ritual tribal que se utiliza por estas bandas) do sentimento que nos transmitiam as aventuras do Tom Sawyer, porque sempre sai um "Voa la no alto....". Aventuras descalcas e na companhia do amigo. Parece ser uma boa filosofia, se calhar e por isso...
Na chegada a Bla, acompanhamos grandes manadas, que seguem em sentido contrario. A razao deve prender se com o facto de o dia seguinte, domingo, ser dia de mercado.
Em Bla, como de costume fomos perguntar aos gendarmes onde poderiamos dormir. Ficamos alojados nima especie de aquartelamento dos antigos combatentes do Mali. Tivemos direito a uma "chambre". Banho de agua tirada do poco e um buraco nochao, como casa de banho.
Descansamos o resto do nosso sabado sentados nas cadeiras; refastelados a ler e a ter como musica de fundo um grupo de mulheres que cantavam em conjunto.
A noite foi um inferno de calor. Sob a ameaca de chuva, o ar era pesado e escorria se so de respirar. Nao dormimos nada. Ao serao, na procura da uma brisa fresca (inexistente) ficamos a ver as estrelas, na companhia dos outros que tambem por ali estavam. Sente se diferenca por qaui auqndo chega o serao. Normalmente, numa situacao destas o serao seria passado em amena cavaqueira com quem estivesse. Sera cultural, ou sera a barreirta da lingua comum (o frances) que nem todos dominam, que torna o dialogo curto. Aqui, pergunta se o nome, retribui se perguntando de volta e eventualmente um "para onde vais" mata a conversa. E tudo. Em vez da troca de conhecimento "coltural" qcqbamos por teorizar acerca do que pode ser feito num pais deste tamanho; desorganizado (palavras de malinense) e ainda dividido em tantas etnias. Fazer como se os esgotos sao a ceu aberto, se o chao das casas e chao do mundo, a lixeira no leio da cidade,...
Seguindo viagem no dia a seguir, chegamos a Koutiala depois de 40 kms (de outra etapa de 85 km), debaixo de chuva. A chegada sabe a vitoria. Pelo caminho, encontramos pela primeira vez uma mulher numa bicicleta (aqui as mulheres nao aprendem a andar de bicicleta), e um autocarro acidentado (milagre nao haver mais, porque passam por nos a altas velocidades).
Tivemos de, aos 40 kms parar para nos abrigarmos na casa de adobe de uns locais para nao entrar na tempestade que estava a chegar. Paramos junto a 3 homens que tentavam, depois de ter caido a cesta onde levavam as galinhas, apanha las para seguir viagem. Um filme...
Mesmo antes, ja tinhamos sido parados por um policia bebado, que num cumprimento duvidoso do seu dever, nos pediu as "vinhetes de velo". Claro que nao tinhamos e nao tivemos melhor remedio senao ir arranjar. Numa logica muito africana, descemos a estrada uns 500 m, para ir a Mairie, para depois voltar a subir os mesmos 500m, para voltar junto do amigo policia e do companheiro, a quem teriamos de pagar pelas vinhetas. Podia ser pior...
No Hotel em Koutiala, tivemos de esperar que a comitiva do ministro saisse do hotel para sermos atendidos. Pelos vistos, escolhemos bem. Se bem que temos sempre de nos situar no contexto das "estrelas" do hotel, porque um 4 estrelas em Africa, so em um 4 estrelas em Africa.

(cont noutro mail, porque o tempo de net vai acabar)

beijinhos

Teresa, Hugo, Dylan e Marley

terça-feira, agosto 11, 2009

Les Amoureux en Burkina Faso

People do cantinho mais bonito do mundo, a beira-mar plantado,

ca estamos, desta feita ja el terras burkinabes! Apos a estadia em Bla-ainda no Mali- avançamos para Koutiala, mais perto da fronteira. Ficamos alojados num motel/ hotel em q estava o ministro numa conferencia qq. Foi um dia sofrido em q os primeiros 40 kms começaram por volta das 7h30 da manha, ja com o petit-dejeuner no bucho, e seguimos viagem. A passagem por uma aldeia ausente na cartografia convencional fomos mandados parar numa operaçao policial e fomos obrigados a dirigir-nos a camara municipal para comprar uns vales para as bicicletas. 1000 CFAs cada, e o policia estava bebado q nem um peru!

O q nos valeu foi q esta paragem coincidiu com a chegada de uma tromba de agua q nos obrigou a alojar-nos na minuscula casa-quarto de umq simpatica familia q qd viu q iamos em direcçqo a tempestade; acenou e nos abrigou. Isto sem eles falarem uma palavra de frances ou nos de bambarra! A hospitalidade africana no seu melhor!

Esperamos algum tempo e fizemo-nos a estrada porque q chuva nao ia parar... e nao parou nos 45 kms seguintes ate a chegada a Koutiala!

No dia seguinte, ontem, optamos por entrar num autocarro e ver as nossas burras e BOBs (q sao um verdadeiro exito junto deste pessoal q acha o conceito espctacular) no cimo de um autocarro com direcçao a Kouri, a ultima cidade-fronteira do Mali.

A viagem tem de ficar para uma proxima, mas posso adiantar-vos q na minha primeira viagem de bus em Africa ia ficando noivo de uma pequena de 8 anos q me explicou q eu era um homem com muita sorte porque tenho muitos pelos nos braços e nas pernas, e ter pelos em Africa e sinal de muita sorte. Fica a dica para o Tony Ramos!

A chegada a Bobo-Dioulasso, ja no Burkina Faso foi debaixo de chuva, ao final da tarde. Dirigimo-nos ao nosso alojamento e jantamos bem cedo, para ver se descansavamos os ossos da viagem. Hoje tiramos o dia para dar uma voltareta pela 2a maior cidade do Burkina e ver como param as modas da metereologia. Ontem percebemos qd atravessamos a fronteira q o Burkina esta um bocado mais alagado do q tinhamos previsto e nao sabemos qual a influencia q isso vai ter nos nossos planos de viagem.

A ideia e partir daqui em direcçao a sudoeste, na provincia de Senoufu, para Banfora onde, segundo pudemos ler nas nossas preparaçoes de viagem, se encontra o maior repositorio de beleza natural de todo o Burkina, a Falaise de Banfora, as Chutes de Tienguela, as Domes e tudo e tudo.

Vao ser mais uns 85 kms a separar Bobo de Banfora, onde esperamos fixar arraiais durante uns dias, para poder partir a descoberta da parte oriental do pais, numa extensao de 200 e poucos quilometros,

A aventura africana continua por aqui!

Um forte abraço a todos destes Babous (= pele branca) em Bobo, Burkina.

Hugo, Terese (mossou babou) e Bobs: Marley e Dylan

domingo, agosto 09, 2009

A Odisseia Africana (cont.)

Que me perdoem os nossos amigos pelo atraso no post, mas este fim de semana estive em pleno Parque Natural da Serra da Estrela sem acesso à net e sem telemóvel... sabe bem, por vezes!!
No sábado, os nossos amigos Heróis uma vez mais mandaram noticias, que passo a partilhar com todos nós que estamos a torcer por eles...

De novo na estrada. Fizémos mais 85kms até Bla. Estamos alojados na sede dos antigos combatentes do Mali. Temos tecto para o caso de chover e guarda oficial :) Já tomámos banho à baldada e agora vamos desfrutar o resto do sábado a ler, descansar e ouvir música.
Beijos e abraços a todos!

Teresa e Hugo

sexta-feira, agosto 07, 2009

Mais de Africa....

Amigas e amigos, obrigado pelas vossas palavras de incentivo!

A minha Terese-Marise tem estado a escrever religiosamente todos os relatos da viagem, aqui o man esta tao assoberbado com tudo q se limita a mandar umas papaias!

Entao e mais? bom, ontem dormimos num hotem simpatico de 2 estrelas com ventoinha no tecto e ar condicionado, sim, ar condicionado! estamos a ficar uns burgueses do pior, mas admito q a culpa e integralmente minha. Estava a precisar de um toquezinho de civilizacao, este numero do "Africa minha" e giro, mas assim muito de repente tb, vai la vai...

Ja lavamos a nossa roupa toda e a maioria ja secou. Aproveitamos para comer um bifinho, um chwarma de galinha, comprar fruta, pao e tomates num mercado local onde a maioria do pessoal sabe menos frances q o people da Buraca! Mas ainda assim as pessoas sao muito simpaticas e esforcam-se por dar o seu melhor.

Hoje dormimos tapados com um edredao! com o AC a gangar no power maximo, so para verem como era! pensavam q eramos uns maninos e nao o conseguiriamos em Africa? Ta ai a resposta!

Amanha vamos partir em direcao a Bla e depois Koutiala, onde pensamos apanhar um autocarro ate BoBo-Dioulasso, no Burkina Faso. Ate la ainda temos mais uns 150 kms ate Koutiala e depois a espera pelo autocarro. Depois de termos ido a estacao de camionetas saber horarios e precos e se transportavam as burras, garanto-vos q essa vai ser a aventura da semana!

O meu rabinho esta a cicatrizar q e uma maravilha, nao q isso seja espectacularmente importante, mas achei q iam ficar contentes por saber. Em especial se tivessem visto o estado em q estava, ficavam mesmo muito joyeux de contantement! Uma palavra amiga para o HAlibut em formato familiar q nos acompanha desde Bamako.

Se calhar so em Bobo e q vamos conseguir escrever novamente, provavelmente nem teremos rede de telemovel ate la, por isso fica para todos um grande abraço e a certeza de q estamos muito contentes por saber q vcs estao ai desse lado, a torcerem pela malta. E acreditem q as vossas palavras sao mais importantes do q podem imaginar! O sentimento inerente a receber um mail ou uma mensagem, quando se esta aqui e, como escrevia o Trips, o de querer ir a net todos os dias e ler as historias e as palavras dos amigos e mutuo. Tb queremos saber se estao bem, se tem feito coco, se a Manuela Ferreira Leite ja se enterrou mais um bocado, se o Alberto Joao continua a querer acabar com os comunas, e essas merdas todas q acontecem a milhares de quilometros de distancia, mas q sao mais importantes do q o q vamos comer ou beber amanha ou depois... e a nacao valente e imortal!

Do fundo coraçao um granda abraço para vcs todos!

Dos vossos sempre, Herois do Mar,

Hugo, Teresa e BoBs, Marley e Dylan

p.s- ha fotos de sitios q vcs nem na National Geographic viram. So de pessoas e q nao, eles nao deixam tirar!

quinta-feira, agosto 06, 2009

ça va bien?

Meus caros amigos e amigas, um abraço especial desde Segou, no meio, mesmo meio do Mali!

Sei q tem seguido atentamente os nossos mails q o Jakas tem feito o especial favor de postar - um granda abraçao amigo; tas sempre no nosso pensamento!- e q nos tem dado uma força especial para prosseguir, a mim em particular... esta terra requer uma reformataçao muito profunda de tudo o q temos como basico e assumido, ou seja, nada me tinha prepqrqdo para esta Africa!

A experiencia esta a ser 7 estrelas, com altos e baixos. Temos acampado dentro das esquadras da policia; La Gendarmerie National e a malta e mesmo muito simpatica. A minha desconfiança inicial, lentamente quebra e da lugar a calma e ao disfrute. Afinal de contas isto e mesmo Africa!!!

Nada nos prepara para isto, nem voltas em Beja as 15h da tarde, nem o carago! O calor e abrasador e a humidade constante dao a sensacao q se esta a pedalar dentro de um banho turco! A chuva quando cai, fa-lo com uma força e intensidade indescritiveis. As trovoadas ecoam ao longo de muitos kilometros e um forte forte antecipa sempre a queda de um tremendo tororo!

Ja tivemos aqui momentos muito loucos! Se vos disser q aqui eu sou o preto, eu; o branquelas com queimadinho a ciclista, de olho azul, de calçoes de lycra, de Cannondale e BoB... ou va tu comme ça? vien ici! Reste la, ou va tu? sao as frases q mais vewes ouvimos nestes ultimos dias...

Acabamos de chegar a Segou e tomamos um banho de chuveiro, o primeiro desde q saimos de BAmako, e ja agora, as fotos q o Jakas postou do hotel, eram do quarto bom... aquilo e do tipo Amazonia Jamor, mas antes de la cair a bomba!

Vamos ficar por aqui mais um dia, para ver se o rabo cicatriza, sim porque nao ha Halibut q resista aos mais de 80 kms por dia, o calor e a humidade africanas!

Um abraço e ate ja,

HOTEL TAMANA EM BAMAKO - MALI

Quando o Hugo informou o nome do Hotel onde ficou alojado á sua chegada ao Mali, não resisti a procurá-lo na net.
Num dos mais pobres países do mundo, esta piscina é um luxo mas a recepção e a "sala de leitura" são épicas eheheheheh. Aqui ficam as fotos e mais um abraço aos nossos HEROIS!

quarta-feira, agosto 05, 2009

A Odisseia Africana (Dia 2 e 3)

A caminho de Segou, possivelmente do meio do nada, os nossos amigos enviaram as seguintes palavras reconfortantes e tranquilizadoras para quem, se encontra no lado de cá a torcer para que eles se divirtam e que corra tudo pelo melhor:

Salut! Conseguimos os vistos e avançamos 75km ontem até Santiguila, e hoje 85 até Konobougou, entre Fana e Segou. Temos acampado junto à policia, apanhado chuvas diluvianas à noite, e tempo muito quente mas suportável quando pedalamos. Estamos bem, beijinhos a todos!
P.S.: Isto é tudo o que se imagina e muito mais. O calor e a humidade são brutais. E a chuva quando cai é de fazer um rio. Um forte abraço deste lado do Mundo completamente diferente, mesmo!

Para os nossos amigos e herois que se encontram a viajar por terras Africanas...

Bem sei que os nossos viajantes e aventureiros têm outras prioridades e preocupações, mas caso queiram aproveitar para mudar o visual e adoptar um look mais conterrâneo, aqui fica a minha sugestão... tem sempre a vantagem de poder ser feito em qualquer altura e/ou lugar não carecendo de equipamento específico... ;o)

video

terça-feira, agosto 04, 2009

A Odisseia Africana (Dia 1)

Uma vez mais, publico o último relato da Aventura Africana enviado ontem, 3/8, pela Teresa e pelo Hugo, da jornada que iniciaram no passado dia 1 de Agosto:

Viva,

aqui estamos nos no centro do antigo imperio do Mali. Na verdade, quando o Sahara ainda era caracterizqdo por planicies verdejantes no seculo 6, este mperio era constituido por 3 imperios o do Ghana [que nada tem a ver com o Ghana que conhecemos, e que cobriq o territorio do Mali e Senegal], o do Mali [desde o oceano atlantico ate a Nigeria] e o Songhai, nq regiao de Timbuctu.
Conseguimos chegar a oficina de imigracao para tratar dos vistos, mas apenas estarao prontos amanha. O transito e verdadeiramente caotico na capital. A poluicao torna o ar, enquanto nos deslocamos pelas principais arterias irrespiravel. E quase impossivel descrever a loucura do transito, dado que nas principais vias, o debito de carros, motas e bicicletas e muito numeroso.
Os planos de partir a pedalar hoje saiu furado e so amanha depois das 10h30 [hora que, em teoria nos entregam os vistos], e que vamos poder sair de Bamako. Para dar uma ideia da confusao? estamos a contar demorar cerca de 1h30 para nos deslocarmos desde o Hotel Tamana onde estamos impecavelmente alojado ate ao ACI 2000, onde se trata da burocracia do pais.
Apesar de termos inicialmente pensado em sair em direccao ao Norte para Kolikoro, onde passariamos o Niger de piroga, decidimos sair rumo a Sul para evitar mais contratempos e tentar avancar mais rapidamente por terra, via uma das vias rodoviarias mais frequentes. Havia tambem duvidas relativamente a transitabiliade de algumas pistas que contavamos utilizar e por isso, nao vamos arriscar para nao perder mais tempo.
Quem viaja em 2 rodas tem de fazer opcoes e quando o pais e enorme como o Mali, temos mesmo de pensar que nao podemos ver todos os postais. Assim, com muita pena nossa tomamos a decisao de nao visitar o Pais do Dogon, um dos highlights do Mali. Nao foi facil, mas com todas as contas que fizemos em termos de kms possiveis, vias transitaveis teve de ser. O Pais de Dogon exige pelo menos 3 a 5 dias para visita e nos nao temos esse tempo. Vamos, em alternativa tentar fazer a zona de Goua no Burkina. Nao sera facil, mas so depois de estar nos pedais e que poderemos dizer. Outra das coisas que nos fez decidir foi o facto de termos falado com ouytros turistas e missionarios brasileiros que conhecemos no ACI que nos disseram que o Burkina vale muito a pena visitar e dispender algum tempo, mais ainda temos o assedio local aos turistas que nao nos fez hesitar...
Entretanto, estamos cada vez mais ansiosos por partir e seguir viagem e para isso ja arrumamos os alforges, montamos as burras e purificamos agua para a viagem. O itinerario previsto e chegar a Segou onde contamos ter net, mas apenas chegaremos dqaui a 4 dias.

Ate la beijinhos e abracos.

Teresa e Hugo

segunda-feira, agosto 03, 2009

PASSEIO EM FAMILIA


Na véspera de ser oficialmente inaugurada a CICLOVIA DO TEJO (não sei se é assim que se chama, mas se não é devía ser...!) os Mourex's enfiaram a tralha no Jeep e apontaram a Belem. O fim de tarde na 6ª Feira estava perfeito! A temperatura, a luminosidade, o pouco movimento, a calma, a brisa morna... Ideal para um passeio familiar com o Jony refastelado no seu reboque! Fomos de Belem ao Speakeasy and back e todos ficámos preparados para começar o fim de semana com um sorriso maior!

A Ciclovia está interessante; penso que se conseguiu um bom compromisso dentro do que era possível dada alguma construção existente. Agora só é necessário que as pessoas cumpram as regras; os ciclistas que circulem na faixa apropriada, os corredores que não a tomem por seu "exclusivo" e os automobilistas, que nas zonas de intersecção, respeitem os ciclistas. Fomos (os 4) convidados pela organização "como familia modelo" para estar presentes na inauguração e dar entrevistas. Tivemos pena; a praia falou mais alto!

PS. O reboque - apesar de já existir há uns anos e neste caso de já o Duarte ter feito sucesso há uns 6 anos - continua a arrancar "aahhhhhhhhsssssss" da boca dos transeuntes. Ah; para os interessados, é excelente para engatar mamãs divorciadas...!!!!!!

A Odisseia Africana (Dia 0)

Actualizacoes da aventura africana (pela mão dos viajantes)

chegamos a Bamako e todas as bagagens chegaram inteirinhas
vamos ficar por aqui ate segunda feira para tratar do visto porque o que temos agora so tem validade de 4 dias

esta tudo ok e hoje trocamos de hotel para ficar mais no centro da cidade e mais junto do maralhal
estamos a ter alguns problemas co, as mensagens do twitter mas vamos concerteza resolver

a bien tot

teresa hugo dylan e marley [os 2 ultimos ainda empacotados]

A Odisseia Africana (Dia -1)

Em sinal de admiração, deixo aqui o relato na primeira pessoa dos 2 Heróis, Teresa e Hugo, do momento em que se preparavam para deixar o Velho Mundo para irem desbravar o Continente Africano montados nas suas "burras", tendo como companheiros de viagem o Bob Marley e o Bob Dylan...

Independentemente da questão de se merecer, ou não, as férias, o facto é que está perto mais uma partida. Porque precisamos "da viagem" como do ar que respiramos.
Impõe-se, mais uma vez, a reflexão, a descoberta, a experiência em 2 rodas, porque "O que importa é a viagem".
O continente africano é desconhecido (ou semi-conhecido) e apenas uma experiência em Marrocos, dá alguma sensação de familiariedade que não chega para o "mergulho" que vamos dar no Mali e no Burkina Faso. Da borda da piscina passamos para a prancha de 20 metros, mas vai valer a pena a vertigem!

O ritual de "iniciação" repete-se: as burras estão empacotadas, revisões, compra de material, a lista pormenorizada de "coisinhas" a levar (tudo pesado à centésima), dentista, vacinas, cortes de cabelo, pelos e barbas,...
Desta vez vamos com algum peso extra devido à quantidade de ferramenta e sobressalentes que levamos (não contamos encontrar muitas opções de oficina e lojas :)), mais o resto do material (tenda, contentores para carregar água, filtros de água, purificador, trem de cozinha, mosquiteira), comida leofilizada (e não despensamos o muesli e frutos secos), medicamentos às centenas (para a troca), mapas,... Também não faltam os luxos clássicos de quem viaja: telemóvel com carregador solar (o Pai Bento emprestou), música, livros, diários de viagem, máquina fotográfica, (não me conformo que não levamos a cafeteira), fatos de banho...
A viajar connosco estão também os nossos novos companheiros de viagem Dylan e Marley (os nossos novos Bobs)! O Dylan tem agora uma nova vida (compramos usado) e o Marley é um fresquinho (basicamente). Vão em teste para África (eles e nós).

Amanhã, começa a grande aventura no balcão do check-in, logo pela manhã. Nós, as malas de porão, as burras, e as dúvidas do costume (podem ir, não podem, pagam mais, não pagam, têm peso a mais, não têm, estão fora do formato, não estão). Estamos com as bicicletas abaixo dos 15 kg, as malas de porão entre os 8,7 e os 10,8 kg, as malas de cabine com cerca de 7 kg. Não estamos fora do peso por pessoa, e reservamos o espaço no avião para as borregas. Sobram-nos ainda 13 kg (para o peso total nos Bobs) para poder transportar água quando andarmos por lá.

O tempo que nos espera em Bamako (capital do Mali) é de chuva (metade do país costuma ficar submerso), para além disso ainda não temos os vistos (mais uma aventura desta feita "de luvas"), mas já temos a primeira noite reservada, para descansar os ossos dos aviões. Desejar que toda a bagagem chegue, e depois é entrar no ritmo!
Pedalaremos o que o tempo nos deixar, na quantidade certa da água que transportarmos, no limite das nossas forças e vontades, no vagar do olhar africano.

Sabemos que cada jornada será diferente da seguinte, que todos os nossos movimentos (alguns tão básicos do dia-a-dia) serão difíceis de realizar, que a realidade que conhecemos estará distante, mas temos a certeza de que o sentimento de "conquista" dará o mote aos nossos dias!

Uma vez que o acesso à net será difícil, e apesar da cobertura do telemóvel no Mali ser algo limitada, vamos tentar dar notícias através do twitter em:

http://twitter.com/VuckRoger


Beijos e abraços a todos!

Vento na cara e pés nos pedais!!

Teresa e Hugo

sábado, agosto 01, 2009

A Odisseia Africana

Amigas e amigos deste mundo tão pequenino,

serve o presente para vos agradecer a todos as palavras de encorajamento. Posso apenas dizer que nesta noite que antecede a partida já nos puseram com as lágrimas nos olhos!

Fiquem descansados que vamos, sempre que possível, dando notícias dos nossos dias.

Podem seguir-nos através do Twitter:http://twitter.com/VuckRoger e sempre que houver rede e nos seja possível enviar um sms, cá estaremos para partilhar convosco a grande aventura africana.

Um granda abração do tamanho do MUNDO a todos e o nosso muitíssimo obrigadíssimo pela vossa amizade e preocupação. A malta vai tentar estar à vossa altura!

Hugo e T.

Frankie Goes to Hollywood - Welcome To The Pleasure Dome

É Sempre a curtir...